O gotico catalão

O gótico catalão, ou gótico do sul, poderia ser definido como a variante do estilo gótico desenvolvido na região mediterrânea européia, e que foi especialmente relevante nos territórios da coroa de Aragão.

Um novo rei e um novo estilo

O rei Jaime II, o Justo, é geralmente considerado o introdutor do estilo gótico na Catalunha. Jaime II alcançou o trono da coroa de Aragão em 1291, depois da morte de seu irmão, Alfonso III. Até então, ele era rei da Sicília. Sua primeira esposa, Blanca de Anjou, embora nascida em Nápoles, pertencia a uma das dinastias mais importantes da França da época. Talvez através dela ele conheceu o novo estilo que prevalecia na Europa.

Assim, será no final do século XIII que o novo estilo começará a substituir as construções românicas que até então haviam sido construídas na Catalunha.
E será, acima de tudo, um estilo urbano, já que esse momento histórico coincidiu com a grande expansão comercial da coroa catalã-aragonesa em todo o Mediterrâneo. E com isso, o grande crescimento das cidades.

Um gótico com características próprias

Falamos frequentemente em nossos passeios do gótico catalão como um estilo, especialmente na arquitetura, com algumas diferenças do gótico que podem ser encontradas no norte da Europa; na França, na Alemanha ou na Inglaterra, para dar alguns exemplos.

Entre essas diferenças, sempre há algumas que são mais fáceis de entender do que parece: horizontalidade e espaço único. De fato, ambas estão relacionadas e a segundo é uma conseqüência da primeira.

Se tivéssemos que definir a arquitetura gótica com um único adjetivo, é provável que ele fosse verticalade. As inovações tecnológicas tornaram possível a construção de edifícios cada vez mais altos e a teologia ficou encarregada de interpretá-los como elevações em direção ao céu que aproximavam os homens a Deus. Se pensarmos nas grandes catedrais francesas, iniciadas no século XII, esse é o sentimento que elas nos dão

Para suportar essas alturas, era necessário um sistema de contrafortes e arcobotantes para permitir que o peso das abóbadas fosse descarregado no chão. Nesse sistema de descarga, os naves laterais tiveram um papel importante. Mesmo estando dentro da igreja, sua função era mais estrutural do que litúrgica. Muito mais estreitas e de menor altura, tornaram-se espaços diferenciados da nave central, o verdadeiro espaço de adoração.

Mais largura que altura

Mas o gótico do sul surge quase um século depois. Portanto, as inovações tecnológicas haviam avançado e permitiram ir um pouco mais longe. Espaços de altura considerável, mas muito mais amplos, poderiam ser construídos.

A descarga das tensões da abóbada foi, portanto, mais distribuída e, como os pilares interiores podiam ficar mais separados, os espaços resultantes eram mais amplos.

E se forem mais largos, significa que o espaço interior não será tão dividido, será mais unitário. Além disso, como os espaços são mais amplos, a sensação de altura é reduzida. E embora tenhamos bastantes metros de altura até o teito, a sensação que ele produz é que a altura é menor. E não é que seja muito menor; o que acontece é que tudo é muito mais proporcional.

Quando essa tecnologia avança ainda mais, os espaços compartimentados desaparecerão e começaram a ser construidas igrejas de nave única, como a igreja de Santa Maria del Pi, de meados do século 14, ou a grande nave gótica da catedral de Girona, iniciada em 1417.

Nesta mesma linha, contrafortes e arcobotantes, os elementos físicos mais relevantes do exterior de um edifício gótico, têm também um papel diferente no gótico catalão.

Mas falaremos sobre isso outro dia. Esperamos que este post não tenha sido muito pesado para você. E esperamos mostrar toda a prática dessa teoria em sua próxima visita. O Bairro Gótico, uma caminhada pela Girona medieval ou uma visita ao mosteiro de Santes Creus são apenas alguns dos passeios onde você pode aprender muito mais sobre o gótico catalão.

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